terça-feira, 6 de setembro de 2011

Viver o que é importante

Havia uma mulher que tinha um namorado que gostava muito dela. Ele já havia proposto a ela que casassem ou que morassem juntos, mas ela recusou, pois não achava que o amasse o suficiente para isso.
Ele sempre dizia coisas boas para ela, que a amava e como ela era bonita. Mesmo que ela se queixasse da vida, ele mostrava diversas coisas boas e enaltecia as qualidades dela.
Essa situação já durava algum tempo, mas a mulher não se sentia decidida a assumir um compromisso mais sério com seu namorado. Na verdade, ela parecia não acreditar que aquilo fosse um amor de verdade e sentia que estava apenas passando o tempo com uma pessoa que lhe dava coisas boas.
Certo dia, o rapaz sofreu um terrível acidente e faleceu. A mulher ficou triste, mas não sentiu a perda como algo incontornável, logicamente por não acreditar que aquele homem fosse o amor de sua vida.
Ela continuou com sua vida. Porém, seus problemas tornaram-se mais difíceis, não conseguia resolver bem as situações cotidianas como antes.
Ao mesmo tempo, ela passou a sentir falta de seu namorado. Ficava ao final do dia junto a telefone, esperando que ele telefonasse, que lhe dissesse coisas boas. Sua saudade e a dor da falta dele aumentavam a cada dia, embora ela tentasse se convencer de que isso não tinha razão de ser.
Percebeu, então, que ele vinha sendo a força que ela usava para viver bem, que era ele que tirava dela o que havia de melhor, de uma forma que ela não conseguia fazer sozinha. Lembrava de como ele sorria e seus olhos brilhavam quando a encontrava. Lembrava de como ele demonstrava contentamento em estar com ela, de como ele a ouvia tão atentamente e com tanto interesse por sua vida. Ele sempre lhe dizia que ela era única para ele e que mesmo sabendo que ninguém pode obrigar outro a amar, ele faria a parte dele da melhor forma e com muito prazer e gratidão.
E agora, que ela o perdera, sua falta a fez perceber o quanto ele era importante para ela.
Algum tempo depois, ela releu uma carta onde ele, naturalmente, falava das qualidades dela e que isso já estava nela e não dependia de ninguém, e que ele somente estava comentando algo que observava. Ele dizia que as coisas boas estavam dentro dela e bastaria que ela as usasse.
Ela entendeu aquilo e passou a enfrentar a vida com mais disposição e desprendimento. Porém, ela sentiu amor por seu namorado, como nunca havia sentido. Um sentimento que não tinha mais sua causa no agrado de elogios ou de atenção, nem em nada de material ou do mundo, mas simplesmente na pessoa dele, e dela, do que eles eram um para o outro. Agora ele era único para ela, e ela gostaria muito de poder lhe dizer isso, de poder voltar no tempo e ser para ele o que ele foi para ela.

domingo, 4 de setembro de 2011

A bondade dos homens e as leis de Deus

Eu sempre ouvia que Deus é generoso, que nos deu a vida, etc. No entanto, tudo que eu podia ver em termos de bondade eu via na atitude de pessoas, não de todas, mas de algumas.
Ao mesmo tempo, eu via muita coisa ruim acontecendo no mundo, muita gente sofrendo, vivendo e morrendo em condições terríveis de vida, de fome, em guerras, em momentos de violência e terrorismo. Todas essas situações eram injustas e sem sentido para mim.
Em certo momento, eu soube que existem leis no universo que determinam o destino das pessoas com base em suas atitudes passadas. Assim, haveria justiça no universo, pois todos colhem os frutos do que plantaram, coisas boas ou coisas ruins. E, assim, todos os seres adquirem consciência e evoluem.
De qualquer modo, eu ainda não conseguia ver onde estava a bondade ou a generosidade de Deus. Da forma como me ensinaram, principalmente na igreja, Deus seria um ente, um ser, que determinava tudo que existe e seria bondoso com os homens, pois Ele os amava.
Depois de algum tempo estudando diversas doutrinas filosóficas e religiosas, e ainda vendo como o mundo era cruel e implacável, e que somente pela ação de pessoas desapegadas e realmente bondosas e caridosas os mais sofredores tinham alguma ajuda, eu tive que mudar de ideia em relação ao que chamam de Deus.
Aquilo que nós, seres humanos, chamamos de amor e de bondade é algo que somente nós sentimos dessa forma. Deus não é humano, não tem sentimentos, como amor ou compaixão. Deus não é um ser, embora tudo que existe seja Ele e faça parte dele, mas de uma forma fria, matemática, misteriosa. Também entendi que existem alguns seres que são responsáveis pela criação de coisas no universo, como os veículos que os seres humanos usam em sua existência. Esses seres também parecem não ter sentimentos nem pensamentos como os humanos, pois são formados apenas por energia bruta e mente fria. São chamados de arcanjos, sefirotes, dhyan-chohans, entre outros nomes, e se distribuem em níveis hierárquicos.
Assim, não adianta somente rezar e pedir coisas ou ajuda de Deus. Ele não é algo que responda a esse tipo de coisa, sua piedade é a lei, a justiça absoluta, o merecimento e a compensação. Também os entes criadores e reguladores do universo não são sensíveis a nada que seja contra as leis. Apenas seres como os humanos, que têm sentimentos, podem responder de alguma forma, desde que estejam preparados para tal coisa e desde que também arquem com as conseqüências dos atos que praticarem para ajudar. Dizem que mesmo Jesus Cristo não escapou da lei e, para ajudar os serem humanos, precisou trabalhar e sofrer para compensar parte do karma da humanidade.
O que eu ainda não entendo, até hoje, é o motivo para a evolução dos homens ter que passar por um caminho de aprendizado tão sofrido e duro, em certos trechos. Porém, eu sei que vou entender um dia, quando eu estiver mais próximo de Deus, ou de meu Deus interior, que sou eu mesmo e para o qual eu vou retornar um dia, assim como todos os seres retornarão a Ele. Quando chegar lá, provavelmente eu vou compreender as leis do universo da mesma forma que os entes superiores, mas mesmo assim eu vou querer saber se não havia um caminho viável menos difícil do que o que eu segui. Acho que vou querer voltar para contar aos que ainda estejam procurando esse caminho, porque eu sou humano, sinto amor e compaixão.
O universo tem leis e elas são implacáveis. Alguns seres as conhecem e as cumprem. Outros ainda não conhecem bem essas leis, cometem erros, mas são capazes de se ajudar mutuamente, trabalhando, sofrendo, mas também se alegrando por isso, e esses são os humanos.