Ele sempre dizia coisas boas para ela, que a amava e como ela era bonita. Mesmo que ela se queixasse da vida, ele mostrava diversas coisas boas e enaltecia as qualidades dela.
Essa situação já durava algum tempo, mas a mulher não se sentia decidida a assumir um compromisso mais sério com seu namorado. Na verdade, ela parecia não acreditar que aquilo fosse um amor de verdade e sentia que estava apenas passando o tempo com uma pessoa que lhe dava coisas boas.
Certo dia, o rapaz sofreu um terrível acidente e faleceu. A mulher ficou triste, mas não sentiu a perda como algo incontornável, logicamente por não acreditar que aquele homem fosse o amor de sua vida.
Ela continuou com sua vida. Porém, seus problemas tornaram-se mais difíceis, não conseguia resolver bem as situações cotidianas como antes.
Ao mesmo tempo, ela passou a sentir falta de seu namorado. Ficava ao final do dia junto a telefone, esperando que ele telefonasse, que lhe dissesse coisas boas. Sua saudade e a dor da falta dele aumentavam a cada dia, embora ela tentasse se convencer de que isso não tinha razão de ser.
Percebeu, então, que ele vinha sendo a força que ela usava para viver bem, que era ele que tirava dela o que havia de melhor, de uma forma que ela não conseguia fazer sozinha. Lembrava de como ele sorria e seus olhos brilhavam quando a encontrava. Lembrava de como ele demonstrava contentamento em estar com ela, de como ele a ouvia tão atentamente e com tanto interesse por sua vida. Ele sempre lhe dizia que ela era única para ele e que mesmo sabendo que ninguém pode obrigar outro a amar, ele faria a parte dele da melhor forma e com muito prazer e gratidão.
E agora, que ela o perdera, sua falta a fez perceber o quanto ele era importante para ela.
Algum tempo depois, ela releu uma carta onde ele, naturalmente, falava das qualidades dela e que isso já estava nela e não dependia de ninguém, e que ele somente estava comentando algo que observava. Ele dizia que as coisas boas estavam dentro dela e bastaria que ela as usasse.
Ela entendeu aquilo e passou a enfrentar a vida com mais disposição e desprendimento. Porém, ela sentiu amor por seu namorado, como nunca havia sentido. Um sentimento que não tinha mais sua causa no agrado de elogios ou de atenção, nem em nada de material ou do mundo, mas simplesmente na pessoa dele, e dela, do que eles eram um para o outro. Agora ele era único para ela, e ela gostaria muito de poder lhe dizer isso, de poder voltar no tempo e ser para ele o que ele foi para ela.