sábado, 28 de maio de 2011

Amor verdadeiro



Quando eu casei, a juíza perguntou se nós prometíamos nos amar na saúde ou na doença, na riqueza ou na pobreza. Dissemos que sim.


Certa vez, eu estava em um bar com alguns amigos. Aproximaram-se das mesas duas meninas, de cerca de nove ou dez anos, com bandejas de balas e doces para vender. Uma veio na frente, era bem bonita e logo foi alvo de atenção de várias pessoas, que se dispuseram a compras seus doces e a lhe dar atenção.


A outra menina estavam bem mais sem jeito e encolhida, suas roupas estavam já velhas e desengonçadas. Eu e outro amigo percebemos que essa outra menina não tinha atenção de ninguém e começamos a conversar com ela. Embora parecesse reprimida naquela situação toda, ela acabou conversando um pouco e vendendo também alguns doces.


Essas coisas me fizeram refletir sobre o que é o amor verdadeiro. Parece que é fácil amar quando se ama uma pessoa bonita, inteligente, que possui dinheiro e é bem sucedida. Parece fácil amar quando se é amado também e o amor parece tão bonito quando tudo está bem. Isso pode ser visto muito, por exemplo, em filmes românticos, nos quais os personagens são sempre interpretados por atores e atrizes considerados mais bonitos, sensuais e bem sucedidos e sempre terminam com finais felizes.


Porém, e se a pessoa amada de repente comete um erro, perde seu dinheiro, fracassa em alguma área da vida ou fica doente e feia? Será que ela ainda será amada?


Eu tenho visto que em muitas separações de casais as pessoas dizem que deixaram de amar o outro porque ele fez coisas ruins. E eu me pergunto, então, se aquele amor era mesmo verdadeiro desde o início ou era apenas algum tipo de satisfação de desejos que, quando não mais satisfeitos, fazem desaparecer aquilo que chamaram de amor.


Hoje eu compreendo que o amor verdadeiro não é condicional, não depende de recompensas ou de satisfação de desejos e nem é uma relação de troca. Quem ama de verdade se satisfaz com seu próprio amor, e sua felicidade é a felicidade dos seres amados.


Kant dizia que devemos agir por dever. Devemos fazer o que sabemos que é o certo e o melhor, e não apenas aquilo que queremos e que nos dá prazer. A felicidade, para Kant, está em agir assim.


Amar de verdade é fazer coisas certas por outros. Amar na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, é apenas uma forma de amar de verdade.


Queria agradecer àqueles que dividiram bons e felizes momentos comigo.


Queria agradecer, mais ainda, àqueles que ficaram ao meu lado nos piores momentos de minha vida e quando eu cometi erros enormes, e me ofereceram ajuda mesmo sabendo que eu provavelmente não poderia retribuir.


Queria agradecer, por fim, pelas oportunidades que eu tive nesta vida de dar amor sem acusar ninguém de nada e sem esperar nada em troca, e de ser realmente feliz.

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