domingo, 31 de janeiro de 2010

Introdução

Chama, porque sofre com o caos interior no qual vivemos.
Chama, para fazer-nos abrir os olhos.
Pergunta-nos por que estamos aqui, o que queremos, a que forças obedecemos.
Pergunta-nos principalmente se compreendemos o que somos.
(Trecho constante na Nota dos Tradutores do Livro Encontro com homens notáveis, de G.I. Gurdjieff)

Durante toda minha vida venho tentando entender o que significa a existência. Também tento compreender a consciência, pois acredito que ela e a existência têm muito em comum.
A compreensão da existência é uma busca em que alguns têm se aventurado e, embora eu tenha visto trabalhos bons e interessantes a respeito, ainda não me sinto satisfeito e tenho muitas dúvidas e questões. Por isso, a busca de respostas é algo que me motiva, que me impulsiona a pesquisar e refletir.
Eu julgo importantes e úteis as vivências naturais desta vida, às quais me dedico bastante. Entretanto, não faz sentido, para mim, achar que a vida acaba com a “morte” e que, portanto, temos que “viver” tudo que pudermos em termos de sensações, posses materiais, vaidades e outras coisas voltadas para o ego. Já existem muitas indicações de que a vida aqui na Terra pode ser apenas uma etapa de algo muito grande, da qual ainda pouco sabemos e temos consciência.
Preciso olhar para além do mundo visível e conhecido. Entretanto, a matéria de que meu corpo é feito é, atualmente, um invólucro forte e resistente e não me permite explorar, facilmente, algo fora dela. É difícil ver além dessa matéria para a quase totalidade das pessoas e mesmo aqueles que possuem algum dom especial, como médiuns e paranormais, não parecem compreender bem o que vêem.
Mesmo assim, levado por um impulso interno de ir além, de ir em frente, vou atrás de respostas e da compreensão do sentido de tudo, da existência. Na verdade, sei que também eu não conseguirei respostas satisfatórias para todas as perguntas, mas vou prosseguir e tenho esperança de que muitas coisas serão alcançadas e serão úteis para mim e para muitos outros. Se a compreensão da consciência não ajudar a explicar a existência, pelo menos ela me permitirá olhar de um modo menos superficial para o Universo e para tudo que está nele, como eu mesmo e todas as pessoas.
O meu plano é o seguinte: organizar uma visão do mundo atual e perceptível, especialmente pela compreensão da evolução histórica da Humanidade e do pensamento humano. Depois, poderei partir para questionamentos das “verdades” colocadas, para pesquisas e para a reflexão de idéias diferentes e novas acerca de fatos da vida. Durante essa etapa, refletirei sobre situações da nossa vida cotidiana e sobre como fatos, princípios e valores conhecidos e não conhecidos em geral, se aplicam sobre elas. Por fim, tentarei conceber outras realidades que expliquem o que “vivemos” e o que “não vivemos”.
No entanto, em primeiro lugar, acho útil lançar algumas idéias básicas, ou propostas, sobre o que é a consciência. Essas idéias serão retomadas e debatidas novamente, quando for possível e houver informações suficientes para isso. Porém, se já tivermos em mente algumas noções iniciais sobre a consciência, será mais fácil e proveitoso caminhar pelos conhecimentos e informações que nos forem apresentados.
Todo o material postado neste blog também poderá compor um livro, se isso vier a me parecer merecido. Nele, poderei expor com mais detalhes tudo que pesquisei e tudo que refleti e concluí, e também o que não conclui, acerca da compreensão, ou de sua busca, da consciência e da existência.
Está bem claro, para mim, que o objetivo a que me proponho agora pode ser visto por muitos, inclusive eu mesmo, como algo impossível. Outros podem discordar da necessidade de buscar conhecimentos sobre coisas além das que vivemos nesta vida e neste mundo, seja porque elas já nos ocupam o suficiente, seja porque acreditam que as coisas do além somente precisam ser conhecidas em outros tempos ou seja até mesmo por não crerem na existência de nada além do que vivemos agora.
Bem, espero que eu não esteja sozinho ao ter, digamos, essa “curiosidade”, produzida pelo conhecimento que já obtive até agora, e o impulso de ir em direção ao desconhecido, por enquanto.

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